JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS


Texto Áureo Gn. 39.2 – Leitura Bíblica Gn. 37.1-11



INTRODUÇÃO
Prosseguindo os estudos sobre a provisão divina, na aula de hoje nos voltaremos para a história de José. A vida desse temente servo de Deus tem muito a nos ensinar a respeito da provisão divina diante das injustiças. Inicialmente destacaremos a vida de José, nos momentos que ainda habitava em Hebrom, com seus irmãos invejosos. Em seguida, veremos que Deus é Aquele que dá provisão, justamente porque esse é o significado do nome “José” em hebraico. Ao final, aprenderemos a não perder a confiança em Deus, em um mundo dominado pela injustiça.

1. JOSÉ, O FILHO PREDILETO
Não existem famílias perfeitas na Bíblia, sobretudo quando consideramos o Antigo Testamento. A família de Jacó, muito embora fosse abençoada por Deus, enfrentou vários problemas. Alguns desses também são comuns nas famílias cristãs, dentre eles destacamos a inveja, o ódio e a predileção. Ao que tudo indica, José era um filho exemplar, e dedicado aos interesses do seu pai (Gn. 37.1-4). Por causa disso seu pai demonstrava certa predileção, em relação aos demais filhos, principalmente porque José era filho da velhice, com sua amada esposa Raquel. O favoritismo sempre traz problemas para as famílias, o próprio Jacó conviveu com essa experiência (Gn. 25.28; 29.30). Uma demonstração dessa preferência de Jacó por seu filho José é concretizada no presente de uma “túnica talar”, de várias cores (Gn. 37.3). Alguns estudiosos interpretam que talvez essa tivesse um significado em termos de herança. Esse teria sido o principal motivo da inveja dos irmãos de José. Acrescido a isso, Deus deu ao jovem vários sonhos, que revelavam sua atuação futura, diante da família. Os irmãos de José ficaram tomados pelo ódio, que é um sentimento destruidor, pois excita contendas (Pv. 10.12), e conduz as pessoas para as trevas (I Jo. 2.9). Talvez tenha faltado sabedoria a José, ao revelar os sonhos aos seus irmãos. Nem sempre devemos dizer aos outros tudo o que sonhamos, e nem todos os sonhos podem ser tomados por revelação. Há sonhos que são induzidos pela própria pessoa, produto de perturbações inconscientes, ou mesmo influenciados por Satanás (Jr 23.25-28). Aqueles sonhos incitaram o ódio dos irmãos de José, que associado a inveja, foi uma combinação mortal, que resultou, incialmente, na tentativa de matá-lo, e posteriormente, acabaram por venderem-no como escravo. 

2. JOSÉ, E O DEUS QUE FAZ PROSPERAR
José foi comprado pelos mercadores, e levado para o Egito, sendo vendido a Potifar, um dos oficiais de Faraó. Aquele jovem era a manifestação da prosperidade divina, inclusive para aquele oficial. Está escrito que “o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José (Gn. 39.5). Mas nem tudo seria fácil, a esposa de Potifar se interessou por José, pois esse, além de temente a Deus, também era formoso. Ela passou a tratar o jovem como um objeto do seu desejo, querendo abusar dele. Mas José fugiu da tentação, por algumas razões: a mulher era esposa do seu senhor, que confiava bastante nele, e o mais importante, aquela traição seria contra o próprio Deus (Gn. 39.9). José deixou o exemplo a respeito do qual Paulo instruiu a Timóteo, o jovem pastor de Éfeso: Foge das paixões da mocidade” (II Tm. 2.22). A temperança é uma das virtudes do fruto do Espírito (Gl. 5.22), e uma demonstração de caráter, pois “como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio”. José foi vítima de injustiça, ao ser caluniado pela esposa de Potifar, e por causa disso foi preso injustamente. Ele teria motivos para se desesperar, principalmente durante o período em foi esquecido na prisão. Não podemos esquecer que é por meio da fé e da paciência que herdamos as promessas de Deus (Hb. 6.12; 10.36). Durante o período em que esteve cativo, José estava sendo preparado por Deus para ter grandes revelações, que demonstrariam a provisão do Senhor, não apenas para ele e sua família, mas também para todo o Egito. Depois de interpretar os sonhos do padeiro e do copeiro, iria mostrar o significado do sonho de Faraó, sendo, por causa disso, chamado a ocupar o posto de governador do Egito. 

3. JOSÉ, VENCENDO AS INJUSTIÇAS
Como José, também podemos ser injustiçados, mas precisamos aprender a confiar, e esperar em Deus. Até mesmo depois de se revelar a seus irmãos, e depois ao seu pai Jacó, José não demonstrou ressentimento, pois sabia que tudo havia acontecido para bem (Gn. 50.20). Um dos filhos de José se chamou Manassés que quer dizer “esquecimento”, isso mostra como esse homem de Deus decidiu reagir em relação as injustiças dos seus irmãos. Seu outro filho se chamou Efraim, que significa aquele que é duplamente próspero. É importante que aprendamos a passar pelas injustiças deixando as mágoas para trás. De vez em quando é preciso fazer uma avaliação de consciência, e nos despir da nossa arrogância, inclusive das prerrogativas humanas. Para tanto, devemos nos revestir de uma nova atitude de fé e de amor, mesmo diante das contrariedades (Ef. 4.20-32; Cl. 3.1-17). Somente assim as feridas dos relacionamentos podem ser saradas, as famílias que foram quebradas pelo ódio e inveja precisam fazer concessões e depender da orientação divina. José sabia o propósito do seu chamado, a função da preservação da sua vida. Ele não se envaideceu em nenhum momento, não utilizou sua função pública para se vingar, sabia que a prosperidade vinha de Deus, e com o propósito bem definido. Precisamos aprender a viver nesse mundo tão injusto, e marcado por relacionamentos interesseiros. A graça de Deus, demonstrada através do perdão, deve prevalecer na vida das pessoas. Se continuarmos plantando injustiças, e revidando na mesma moeda, terminaremos ainda mais feridos. 

CONCLUSÃO
A vida de José é uma demonstração do que Deus pode fazer para as pessoas que confiam nele. Esse homem de Deus se tornou próspero, a fim de mostrar que tudo coopera para o bem daqueles que são chamados segundo os desígnios de Deus (Rm. 8.28). Até mesmo as injustiças humanas podem fazer parte de um plano maior, que haverá de ser revelado quando Deus descortinar suas verdades espirituais (Jó. 42.3). 

DEUS: O NOSSO PROVEDOR




                              Texto Áureo Gn. 26.2 – Leitura Bíblica Gn. 26.2-6


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da provisão de Deus nas situações difíceis pelas quais Isaque passou. Inicialmente destacaremos que Isaque seguiu o exemplo de Abraão ao se refugiar diante da fome. Em seguida, ressaltaremos o desafio do filho do velho patriarca, diante dos vizinhos descrentes, que demonstraram inveja da sua prosperidade. Ao final, mostraremos que as crises também criam oportunidades, e como fez Isaque, precisamos aprender a “cavar poços”, mesmo que os tempos não sejam favoráveis. 

1. ISAQUE, FUGINDO DA FOME
A história de vez em quando se repete, não necessariamente do mesmo modo. Em se tratando de provações, nenhuma pessoa está livre de passar por elas (Tg. 1.1-18). O próprio Jesus declarou que no mundo teríamos aflições (Jo. 16.33), mas que deveríamos ter ânimo, e depositar nossa confiança em Deus. Isaque, o filho do patriarca Abraão, seguiu os passos do seu progenitor. A palavra “pai” é repetida seis vezes ao longo desse texto. Isso nos ensina que, de certo modo, somos tentados a repetir os equívocos dos nossos ancestrais. Isaque, assim como aconteceu com Abraão (Gn. 12.10-13.4), também enfrentou o problema da fome. Aquele desceu para o Egito, Isaque, de igual modo, fugiu para Gerar, a capital dos filisteus, a fim de buscar o auxílio de Abimeleque. Ao que tudo indica, Isaque e Rebeca estavam habitando em Beer-Laai-Roi (Gn. 25.11), sendo assim, viajaram cerca de cento e dez quilômetros noroeste, a fim de encontrarem melhores condições de vida. A fuga das adversidades é uma tendência normal para os seres humanos, mas não há outra maneira de crescer na fé, a não ser por meio das adversidades. Conforme destacou Paulo, “a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência (Rm. 5.3,4). É bem verdade que durante o sofrimento desejamos, como o salmista Davi, “asas como da pomba”, para poder voar “e achar pouso” (Sl. 55.6). Mas se quisermos deixar de ser simples pombas, e nos tornar águias que voam mais alto, precisamos subir cada vez mais (Is. 40.31).

2. CONVIVENDO COM OS VIZINHOS
As pessoas são tentadas a se moldarem às circunstâncias, sobretudo nos momentos de aflições. A fim de nos ajustar às situações, somos tentados a nos acomodar ao ambiente no qual nos encontramos. Isaque, para sobreviver as pressões e riscos diante dos vizinhos, fez concessões em relação a verdade, optando pela mentira. Faltar com a verdade, na maioria das vezes, é um escape para fugir da realidade. Quando perguntaram a Isaque se Rebeca era sua esposa, imitando a seu pai Abraão, respondeu que era sua irmã. A situação se tornou embaraçosa para Isaque quando a verdade veio à tona. É constrangedor quando a mentira de um servo de Deus é desmascarada por um incrédulo. Devemos lembrar, como ensinou Jesus, que somos sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13-16). Isaque precisou aprender a conviver com a inveja dos seus vizinhos (Gn. 26.12), isso porque o Senhor o fez prosperar, mesmo em tempos difíceis. Aqueles que estão debaixo da providência divina têm a promessa de que serão preservados pelo Senhor, e que não lhes faltará o essencial para a sobrevivência (Hb. 13.5). Certamente isso causará inveja em muitas pessoas, e fará com que esses tenham um sentimento maldoso. Mas não devemos nos deixar abater com aqueles que não temem ao Senhor, e que estão dominados pelo sentimento tóxico da inveja, que é podridão para os ossos (Pv. 14.30).

3. CAVANDO POÇOS
Por causa da inveja, os vizinhos de Isaque queriam se apropriar dos poços do patriarca. Os filisteus, tomados pela maldade, taparam os poços que Isaque herdou de Abraão (Gn. 26.19). Os homens de Gerar, dominados pela inveja, não davam trégua a Isaque, e o perseguia constantemente. A inveja é um sentimento doentio, as pessoas que são dominadas por ele, às vezes, nem se apercebem. Isaque, diferentemente dos seus vizinhos invejosos, decidiu confiar em Deus, e continuar cavando outros poços. Aprendemos lições importantes com esse episódio: 1) Deus cumpre as suas promessas, e abençoa aqueles que trabalham (Gn. 26.3,5); 2) A benção de Deus não nos livra dos invejosos (Gn. 26.14-17); 3) a prosperidade tem seus benefícios, mas pode também trazer problemas, contenda e ódio (Gn. 26.18-22); 4) Berseba, lugar do “poço do juramento”, é onde encontramos segurança, descansemos na certeza de que Deus é conosco (Rm. 8.31-39); 5) precisamos aprender a lidar com os conflitos, e se demonstramos a sabedoria do alto, poderemos obter reconhecimento dos opositores (Gn. 26.26-33); e 6) o acordo com os vizinhos de Isaque foi uma conquista, que possibilitou a convivência pacífica entre eles. Isaque, cujo nome significa “riso”, passou por muitas aflições, mas sabia que a provisão de Deus estava sobre ele. Devemos seguir seu exemplo, firmes na convicção que o Senhor está no comando de todas as situações.  

CONCLUSÃO
As aflições são comuns, até mesmo entre aqueles que servem a Deus, mas essas podem ser oportunidades. Nas dificuldades encontramos “largueza”, desfrutamos da misericórdia do Senhor (Sl. 4.1). É na escola da adversidade que crescemos em confiança, aprendendo a depender cada vez mais de Deus (Sl. 25.17). A busca por espaço físico, e as adversidades dela decorrente, pode resultar em sofrimento, que nos levam para mais perto de Deus (Sl. 18.19).

AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS PRECIPITADAS


Texto Áureo Pv. 14.29 – Leitura Bíblica Gn. 13.7-18



INTRODUÇÃO
No mundo todas as pessoas passam por circunstâncias adversas, e a todo momento são pressionadas a fazerem escolhas. Mas é preciso ter cautela, sobretudo confiança em Deus, para não tomar decisões precipitadas. Na lição de hoje estudaremos a respeito desse assunto, tomaremos por base o relacionamento entre Abraão e seu sobrinho Ló, a fim de extrairmos lições para nossas vidas. Ao final da aula aprenderemos que as escolhas precipitadas podem trazer consequências drásticas, e em alguns casos, irreparáveis. 

1. CIRCUNSTÂNCIAS ADVERSAS 
Abraão respondeu ao chamado do Senhor, e partiu de uma terra estranha, do meio da sua parentela. Talvez para se sentir mais seguro, levou consigo seu sobrinho Ló, que viria a lhe trazer problemas. Somos tentados, a todo instante, a confiar em nós mesmos, ou a depender das pessoas mais próximas. Mas a caminhada do cristão, na maioria das vezes, é existencial, ele não pode transferi-la a quem quer que seja. As decepções da vida, seja com pessoas ou instituições, servem para nos mostrar que somente em Deus temos plena segurança. Abraão tomou a decisão de descer para o Egito em um momento de privação de alimento (Gn. 12.10). A expressão “descer para o Egito” tem a ver com dúvida diante das promessas de Deus (Nm. 11; 14; Is. 30.1,2; 31.1; Jr. 42.13). Não podemos colocar nossos olhos nas circunstâncias, se assim fizermos seremos reprovados pelo Senhor (Mt. 14.30). Somos lembrados pelo profeta Isaias que “aquele que crer não foge” (Is. 28.16). Durante o período em que esteve no Egito, Abraão aprendeu uma lição importante, nunca é tarde para voltar ao caminho correto (Gn. 13.1). Ainda bem que a fé do cristão é constituída de recomeços, ninguém deve permanecer prostrado depois do fracasso. Sabemos que temos um Advogado perante o Pai, Jesus Cristo que é a propiciação pelos nossos pecados (I Jo. 1.9). É sempre bom voltar a casa do Pai, pois a desobediência traz resultados desastrosos, a vontade de Deus não é para mal, muito pelo contrário, é para o bem daqueles que a seguem (Rm. 12.1,2). Arrependimento é uma palavra que não pode sair do dicionário do cristão, devemos estar sempre dispostos a reconhecer nossos erros, e buscar do Senhor o perdão para as decisões equivocadas, como fez o filho da parábola (Lc. 15.21). 

2. OLHANDO PARA PESSOAS E COISAS
O ambiente familiar, ao contrário do que se costuma idealizar, está susceptível a conflitos. É preciso reconhecê-los, e o mais importante, aprender a lidar com eles, com amor e graça. As posses materiais parece ser uma das principais causas dos desentendimentos familiares. É digno de destaque que quanto mais prospero Abraão se tornou, mais problemas familiares ele passou a ter. A riqueza necessariamente não traz felicidade para a família, pode resultar em conforto, mas não é bem-estar. O dinheiro não pode comprar a paz tão almejada pela família, é possível viver bem com muito menos do que imaginamos. Os pastores de Ló, o sobrinho de Abraão, começaram a disputar território. A narrativa bíblica revela que Ló estava tomado pelas posses das coisas. Nesse particular Abraão demonstrou ter maior confiança em Deus, e não se deixou controlar pela pressão das circunstâncias. Deu liberdade a Ló para que esse escolhesse a porção que mais agradasse aos seus olhos. O sobrinho do patriarca, por falta de visão espiritual, fez opção pelas campinas para as bandas do Jordão. Abraão demonstrou ser um pacificador, ou melhor, um apaziguador, alguém que buscava conciliação. Ló, ao contrário, buscava a riqueza desse mundo, que continua sendo a raiz de todos os males, e tem conduzido muitos à ruina (I Tm. 6.10). 

3. QUANDO CONFIAMOS EM DEUS
As escolhas equivocadas, e precipitadas, de Ló trouxeram consequências sobre a vida dele e da sua família. Por causa da sua opção, ao deixar se conduzir pelas aparências, situações adversas sobrevieram sobre o sobrinho do patriarca. Quatro reis decidiram atacar a região na qual Ló se encontrava, sendo esse levado como cativo e todos os seus bens (Gn. 14.8). A própria cidade de Sodoma por fim foi destruída por causa dos pecados que seus habitantes cometiam contra Deus (Gn. 19.24). A cobiça tem feito muitos estragos na vida de cristãos, inclusive de obreiros que trabalham na seara do Senhor. Por causa do dinheiro as pessoas mentem (Pv. 21.6), maltratam os outros (Pv. 22.16), se utilizam de meios desonestos (Pv. 28.8) e afligem a família (Pv. 15.27). Com Abraão precisamos aprender a colocar nossa confiança exclusivamente em Deus. Ao invés de tomar uma decisão pensando apenas em si mesmo, o patriarca se voltou para Deus, e deixou que Ló fizesse sua escolha. O mundo seria bem diferente se as pessoas percebessem mais pessoas e menos coisas, e olhassem mais para os outros, e menos para elas mesmas (Fp. 2.4). Aprendamos também a não colocar nossos olhos apenas no aparente, deixemos que Deus ocupe o primeiro lugar em nossas vidas (Mt. 6.33). Abraão tinha convicção de que não passava de um peregrino na terra, e que seu maior tesouro era o Senhor, que o havia chamado. Mas Ló resolveu se estabelecer na terra, primeiramente olhou para Sodoma (Gn. 13.10) depois partiu para aquela região (Gn. 13.11,12), e por fim, para ali se mudou (Gn. 14.12).  

CONCLUSÃO
O imediatismo contemporâneo, e sobretudo as pressões pelas quais passamos, demandam uma decisão urgente. Quando não confiarmos em Deus, e colocamos o foco em nós mesmo, podemos ser tentados pela cobiça, e tomarmos decisões precipitadas. Aprendamos com Abraão a buscar o Senhor em todas as circunstâncias, o colocar os olhos exclusivamente nEle (Gn. 13.14), somente assim poderemos percorrer a terra na qual Ele temporariamente nos colocou (Gn. 13.17).