JESUS – SUMO SACERDOTE DE UMA ORDEM SUPERIOR

Texto Áureo: Hb. 7.26 – Texto Bíblico: Hb. 7.1-19


INTRODUÇÃO
O sacerdócio araônico tinha extrema relevância na religiosidade judaica, de modo que mesmo os cristãos hebreus destinatários da Epístola se sentiam atraídos por ele. O autor da Epístola, conforme estudaremos na lição de hoje, argumenta que existe um sacerdócio superior, não da ordem de Arão, mas de Melquisedeque, o qual tipifica o sacerdócio de Cristo. Ao final da aula mostraremos, com base no capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, os fundamentos escriturísticos para a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o de Arão.

1. MELQUISEDEQUE, SACERDOTE-REI
Melquisedeque aparece no livro de Gêneses como um personagem bíblico, relacionado à história de Abrãao e seu sobrinho Ló, que habitou na cidade de Sodoma, e acabou se envolvendo na vida política daquela cidade. No contexto de uma batalha, os sodomitas e seus aliados foram capturados, entre eles Ló. Abraão, a fim de resgatar seu sobrinho, empreendeu uma batalha, juntamente com uma coalisão de forças. Após retornar vitorioso desse desafio, Abraão acampou em Salém, cidade que futuramente seria conhecida como Jerusalém. Naquele local, se encontrou com Melquisedeque, o sacerdote-rei da cidade, que abençoou Abraão (Gn. 14.19,20). Do texto apreendemos que ele era sacerdote de El Elyon, o Deus Altíssimo, e que assim foi reconhecido por Abraão, que lhe entregou seus dízimos. O autor da Epístola aos Hebreus faz alusão a esse personagem como um tipo do sacerdócio de Cristo, sendo Ele também Rei-Justo. Na verdade, Deus é justo, e justificador daqueles que creem em Jesus (Rm. 3.26). É importante destacar que Deus fez aquilo que o homem não poderia fazer para ser salvo (Rm. 4.6). O sacrifício de Jesus na cruz do calvário foi suficiente para salvar os pecadores (Jo. 3.16), trazendo a paz entre Deus e os homens (Lc. 2.14), justamente por ser Ele o Príncipe da paz (Is. 9.6). Ele é também o Reconciliador entre Deus e os homens, o que restaura o relacionamento rompido por causa do pecado (II Co. 5.20). Por isso Melquisedeque é tipo de Cristo, pois aponta para Aquele que se fez justiça por nós, de eternidade a eternidade (Jr. 23.6; Ap. 1.8).

2. SUPERIORIDADE DE MELQUISEDEQUE SOBRE ARÃO
O argumento do autor é que o fato de Abraão ter entregue dízimo a Melquisedeque é um sinal da grandeza do seu sacerdócio-reinado em Salém (Hb. 7.4). O patriarca reconheceu que Melquisedeque tinha autoridade espiritual, pois apenas aqueles que eram instituídos como sacerdotes recebiam dízimos (Hb. 7.5). O fundamento do sacerdócio, por conseguinte, remete ao tempo de Abraão, indo além da instituição levítica. Levi, um dos doze filhos de Jacó, era descendente de Abraão (Hb. 7.5). Por isso, Melquisedeque, ainda que não fosse descendente de Levi, se antecipou ao sacerdócio desse, demonstrando ser ainda maior, tendo recebido dízimo do próprio Levi, através do patriarca Abraão (Hb. 7.6,7). Além disso, o sacerdócio levítico é composto por homens que morrem (Hb. 7.8), enquanto que o de Melquisedeque, não há registro da sua morte. O autor da Epístola aos Hebreus cita Sl. 110.4, para legitimar nas Escrituras o sacerdócio de Cristo, pondo na ordem de Melquisedeque. Isso mostra também a limitação do sacerdócio levítico, considerando que os sacerdotes dessa ordem eram imperfeitos, e que precisavam sacrificar não apenas pelos outros, também por eles mesmos. Jesus é o Grande Sumo Sacerdote, não da ordem de Levi, pois não era daquela tribo. Ele era da tribo de Judá (Hb. 7.14), e remete a um sacerdócio ainda mais antigo, estabelecido anterior a Lei, que estava além do “mandamento carnal” (Hb. 7.16). O sacerdócio da aliança carnal, para o autor da Epístola, através de Cristo se tornou “ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade” (Hb. 7.18).

3. A SUPERIORIDADE DO SACERDÓCIO DE CRISTO
A referência ao Sl. 110 é bastante enfática no capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, a fim de confirmar a superioridade do sacerdócio de Cristo. A começar pela necessidade de muitos sacerdotes, que vinham uns após os outros (Rm. 7.23). A sucessão era uma demonstração de fraqueza daquele tipo de sacerdócio. O sacerdócio de Cristo, por sua vez, não carece de sucessor, pois é eterno, estando Ele entronizado para sempre. Por esse motivo, Ele é capaz de interceder continuamente por aqueles que creem (Hb. 7.25). A demonstração da superioridade, e legitimidade eterna desse sacerdócio, é demonstrada na ressurreição de Cristo, que se encontra entronizado à direita do Pai. Esse Sumo Sacerdote se tornou um de nós (Hb. 7.26), cumprindo as necessidades do Seu povo. E mais, Ele é santo, imaculado, separado dos pecadores (Hb. 7.26). Ele é digno de confiança, de modo que podemos nos aproximar do Pai. Os sacerdotes levíticos precisam sacrificar por eles mesmos, antes de sacrificar pelo povo (Hb. 7.27). O mesmo não ocorre com Cristo, que é um sacerdócio definitivo. Por isso, apenas Jesus – maior que tudo que Deus havia concedido como revelação a povo de Israel e ao mundo - constituiu uma nova aliança, concretizada através do derramamento do seu sangue, dando-nos a garantia de que somos aceitos pelo Pai, não por causa de nós mesmos, mas porque Ele foi aceito por nós. Em Cristo podemos ser filhos de Deus, e a Ele nos dirigir como Aba, mediante o Espírito de adoção, concedido por Sua graça (Gl. 4.5).

CONCLUSÃO
Temos um Sacerdote Eterno, que se identifica com nossa condição, ainda que não tenha pecado (I Pe. 2.22). Por causa dEle, sabemos que fomos aceitos por Deus, porque o próprio Cristo, o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, se fez pecado por nós (II Co. 5.21). Diante dessa realidade eterna, com a qual fomos agraciados, devemos nos aproximar do trono da graça, com toda confiança, para receber misericórdia e poder, sobretudo nos momentos de necessidades (Hb. 4. 16).

BIBLIOGRAFIA
PFEIFFER, C. The Epistle to the Hebrews. Chicago: Moody Press, 1962.
WEIRSBE, W. Be confident: Hebrews. Colorado Springs: David Cook, 2009.

A PERSEVERANÇA E FÉ EM TEMPO DE APOSTASIA


Texto Áureo: Hb. 6.12 – Texto Bíblico: Hb. 6.1-15


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje discutiremos a respeito da perseverança e fé em tempos de apostasia. É preciso destacar que alguns crentes hebreus daquela comunidade estavam desertando da fé, e retornando para a religiosidade judaica. Diante dessa realidade, o autor da Epístola os admoesta para seguirem adiante, crescendo em entendimento da fé, tendo cuidado para que não venham a perder o que haviam adquirido por meio de Cristo, tendo como garantias as promessas do Senhor.

1. A IMPORTÂNCIA DA MATURIDADE CRISTÃ
Em continuidade à discussão do capítulo anterior, o autor da Epístola aos hebreus amoesta os irmãos para que não fiquem apenas nos “rudimentos da doutrina de Cristo” (Hb. 6.1). Evidentemente não há uma reprovação em relação aos ensinamentos fundamentais da fé, tais como: arrependimento, fé em Deus, doutrina dos batismos, imposição das mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno (Hb. 6.2,3). Algumas dessas práticas religiosas eram conhecidas dos cristãos hebreus, e ao que tudo indica, eles a circunscreviam ao judaísmo, em consonância com o evangelho de Cristo. Essas doutrinas incluíam: 1) arrependimento das obras mortas – a prática das obras é necessária, mas não garante a salvação, pois somente pela fé em Cristo podemos ser salvos (Ef. 2.8-10); 2) fé em Deus – é verdade que sem fé é impossível agradar a Deus (Hb. 11.6), essa fé, no entanto, deve instigar à maturidade, não ao comodismo; 3) doutrina dos batismos – a igreja cristã tem basicamente um batismo (Ef. 4.5), mas entre os judeus eram comuns vários banhos cerimoniais; 4) a imposição de mãos – era uma prática comum no judaísmo, como uma forma de transferência de atribuição, que se dava por meio da oração (Mc. 5.23; At. 6.6); 5) ressurreição dos mortos – Jesus morreu e ressuscitou pelos pecadores, essa se tornou uma doutrina fundamental da fé, e que também os que creem haverão de ressuscitar (I Co. 15.18); e 6) o juízo eterno – o julgamento vindouro é uma realidade bíblica, assegurada no ensinamento dos apóstolos (At. 10.42). Mas fazia-se necessário que eles avançassem, que saíssem do “jardim de infância”, e partissem para a “formação acadêmica”. Na verdade, essa é uma metáfora do significado do crescimento espiritual dos crentes. Há cristãos que ficam muito à vontade no “educandário espiritual”, pois nesse ambiente há muitas diversões, e quase nenhum compromisso.

2. O PERIGO DA APOSTASIA, A DESERÇÃO DA FÉ
A preocupação do autor da Epístola aos hebreus não é com aqueles que passam por altos e baixos na fé Cristo. Mas propriamente neste capítulo, se volta para a apostasia – que se trata da deserção premeditada da fé. O texto trata a respeito daqueles que “uma vez foram iluminados” (Hb. 6.4), por conseguinte, aqueles que tiveram uma experiência real de fé. Há elementos bíblicos suficientes para fazer essa afirmação, considerando que tais crentes: “provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra d Deus e as virtudes do século futuro” (Hb. 6.4,5). Esse é um texto cujo significado é disputado por calvinistas – aqueles que acreditam na segurança eterna dos salvos; e arminianos – que defendem a possibilidade da apostasia, mesmo para aqueles que foram salvos. A esse respeito, é preciso ter cuidado para evitar qualquer tipo de extremo. Por um lado, podemos ter convicção de que temos a segurança da salvação, e não podemos viver instáveis em relação à providência divina para a vida eterna. A salvação não depende de nós, é um ato divino do início até ao fim, de modo que temos firmeza que Aquele que iniciou a boa obra a concluirá (Fp. 1.6). De outro modo, não podemos negar a possibilidade da apostasia, inclusive para aqueles que uma vez professaram a fé cristã, esse é justamente o significado da apostasia - deserção. Esse, na verdade, é o pecado contra o Espírito Santo, resultando na impossibilidade do arrependimento, tendo em vista que é o Espírito que convence do pecado (Lc. 12.8-10; Mt. 12.31; Mc. 3.29; Jo. 16.8). Portanto, calvinistas e arminianos devem se render à veracidade desse texto, e não acharem que uma vez salvos, salvos para sempre. E ao mesmo tempo, também não devem achar que a salvação se perde por qualquer motivo.

3. A ESPERANÇA POR COISAS MELHORES
A abordagem do autor da Epístola aos hebreus é a de um pastor-mestre, não apenas está interessado em apresentar uma série de doutrinas, mas também em estimulá-los a seguir adiante. Por isso a eles se dirige afirmando esperar “coisas melhores e coisas que acompanhem a salvação” (Hb. 6.9). O pastor-mestre não apenas adverte os crentes, também os impulsiona a seguirem adiante, admoestando-os a buscarem crescimento espiritual. É bem verdade que, por causa da fé, enfrentamos muitas adversidades, mas “Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho de amor que, para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis” (Hb. 6.10). Essa é uma mensagem que os motivou a enfrentarem as lutas, a fim de que perseverassem “até o fim, para completa certeza da esperança” (Hb. 6.10). E, de igual modo, não serem negligentes na caminhada, antes “sendo imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (Hb. 6.12). Um desses exemplo é Abraão, pois demorou muito tempo até que ele visse o cumprimento das promessas do Senhor em sua vida. Mas não se desesperou, “esperando com paciência, alcançou a promessa” (Hb. 6.15). O Deus nos qual cremos é de promessas, e Ele vela pela Sua palavra para cumprir (Mt. 24.35). Temos a esperança de que ao Seu tempo Ele fará tudo aquilo que prometeu. Essa deve ser a âncora da nossa alma (Hb. 6.19), a bússola que norteará nossas decisões, ainda que essas sejam contrárias à maioria. Temos ainda um exemplo maior que o de Abraão, o próprio Cristo, que é Sacerdote e Precursor do crente, ou seja, aquele que está adiante de nós, mostrando o caminho que deve ser seguido (Hb. 6.20).

CONCLUSÃO
A perseverança na fé deve ser ensinada nas igrejas, como forma de estimular os crentes a seguirem adiante, não se acomodando nos rudimentos da doutrina. Mas isso precisa ser feito com equilíbrio, a fim de evitar que resulte em insegurança em relação à salvação, que nos foi providenciada graciosamente, através do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que é Sacerdote e Precursor, daqueles que carregam a cruz do discipulado (Mt. 16.24).

BIBLIOGRAFIA
LAUBACH, F. Hebreus. Curitiba: Esperança, 2000.
WEIRSBE, W. Be confident: Hebrews. Colorado Springs: David Cook, 2009.

CRISTO É SUPERIOR A ARÃO E À ORDEM LEVÍTICA

                     Texto Áureo: Hb. 4.14 – Texto Bíblico: Hb. 4.14-16; 5.1-14


INTRODUÇÃO
O escritor da Epístola aos Hebreus ressalta a superioridade do sacerdócio de Cristo em comparação com o de Arão. E nesse particular, observamos uma predominância temática, recorrente em várias passagens. Ele destaca, conforme estudaremos na aula de hoje, que Jesus foi chamado por Deus como um Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb. 5.10). A partir dessa temática, o escritor irá mais uma vez admoestar seus destinatários para que não sejam de dura cerviz, e para que deem ouvidos à Palavra de Deus (Hb. 5.11).

1. A SUPERIORIDADE DO SACERDÓCIO DE CRISTO
Antes da destruição do Templo de Jerusalém (70 a. C.), o ofício sacerdotal era fundamental na prática do judaísmo. Em tais ocasiões o sangue de animais era derramado e orações eram direcionadas a Deus, pelo pecado dos israelitas. Tais práticas remetem a tempos antigos na tradição hebraica, o próprio Abel e seu irmão Caim, o fizeram. A esses podem ser acrescentados: Abraão, Isaque e Jacó, os patriarcas do povo hebreu. De certo modo, podemos afirmar que o cristianismo tem seu fundamento no próprio judaísmo, pois “visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus” (Hb. 4.14). Ele não é um sacerdote comum, mas um “grande sumo sacerdote”, e essa é a razão pela qual devemos reter “firmemente a nossa confissão”. E mais, na perspectiva negativa, “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas: porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb. 4.15). A identificação desse Grande Sumo Sacerdote é importante, pois Ele foi tentado em tudo: na concupiscência da carne, na concupiscência dos olhos, e na soberba da vida. E porque Ele foi tentado em tudo “mas sem pecado”, pode nos representar diante do Pai, pois como caímos todos em Adão, em Cristo igualmente somos vivificados. Ele se identifica com cada um de nós, sendo capaz de entrar não apenas no Santo dos Santos, mas no trono do próprio Deus, nos céus. Oportunizando que: “cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb. 4.16).

2. AS QUALIFICAÇÕES DO SACERDÓCIO DE CRISTO
Para que o sacerdócio levítico fosse aprovado por Deus, bem como o próprio sacerdócio de Cristo, fazia-se necessário que algumas qualificações fossem consideradas. A esse respeito, é preciso destacar que a “ordem” do sacerdócio de Cristo se difere daquele dos sacerdotes levíticos. Em ambos os casos, um homem foi escolhido, para representar o povo, na presença de Deus. Por isso, como sacerdote, Jesus foi “tomado dentre os homens” (Hb. 5.1). E seguindo a prática sacerdotal judaica, “para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb. 5.1). Como Sumo Sacerdote, Jesus “pode compadecer-se”, isso mostra que Ele não desconsidera nossa condição humana, e mais que isso, que ele tem simpatia, no sentido etimológico do termo”, sofre conosco. Ele conhece nossa natureza, e sabe que somos pó, e que dependemos de Deus, inclusive para vencer as tentações/provações. Uma das qualificações de Cristo, em comparação ao sacerdócio levítico, é que o sacerdote levítico deveria oferecer sacrifícios “tanto pelo povo como também por si mesmo” (Hb. 5.3). Por oposição, o sacerdócio de Cristo tinha procedência divina, para tanto o autor recorre a Sl. 2.7 e ao 110.4, a fim de mostrar que Jesus, diferentemente do sacerdócio aaronico, seguia a ordem de Melquisedeque. Este foi um sacerdote-rei da cidade estado de Salém – antiga Jerusalém – nos tempos em que Abraão resgatou Ló do cativeiro. E seguindo essa ordem, Jesus mostrou ser superior, pois Ele não apenas morreu pelos pecados da humanidade, também ressuscitou vindo a ser “a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb. 5.9). A obediência é importante no contexto da Epístola aos Hebreus, pois o próprio Cristo “aprendeu a obediência”, e todos aqueles que O seguem também devem aprendê-la.

3. CHAMADOS PARA A MATURIDADE ESPIRITUAL
A maturidade cristã é um dos desafios fundamentais para o desenvolvimento da fé. Espera-se que, com o passar do tempo, os cristãos sejam “mestres” (Hb. 5.12), ou seja, que possam ensinar a outros os fundamentos da verdade. A esse respeito, devemos ressaltar que o ministério do ensino, muito embora seja específico para alguns (Ef. 4.11), também tem sua expressão coletiva, para a totalidade da igreja. Não podemos deixar de destacar que na Grande Comissão Jesus ordenou aos seus discípulos, o ministério do ensino quando os instruir para que “ensinassem todas as nações” (Mt. 28.19). A esse respeito, aproveitamos para ressaltar que uma igreja séria obrigatoriamente estará comprometida com o ensino da Palavra de Deus. Essa não é uma opção, antes uma condição, para a própria existência da igreja. A busca pela maturidade espiritual deve ser perseguida, por isso os pastores, e a liderança em geral, devem envidar esforços, para que a igreja esteja alicerçada na doutrina de Cristo. O problema daquela comunidade cristã, e de muitas outras nos dias atuais, é que eles não estavam avançando, por isso careciam sempre está retornando aos rudimentos das palavras de Deus (Hb. 5.12). Nada há de errado em voltar aos fundamentos da nossa fé, mas é preciso ter cuidado para não ficar apenas neles (II Pe. 3.18; Ef. 4.15). E no caso específico daqueles crentes, eles queriam permanecer na religiosidade judaica, algo que já havia caducado, depois da suprema revelação em Cristo (Hb. 1.1,2).

CONCLUSÃO
Temos um sacerdócio que é superior ao levítico, pois nosso Sumo Sacerdote é “grande”, maior que o de Arão, cujos sucessores precisavam sacrificar não apenas pelo povo, mas por eles mesmos. Cristo é Sumo Sacerdote segundo Melquisedeque, portanto, de uma ordem que não é meramente humana, antes eterna e celestial, por isso deve nos motivar a seguirmos crescendo na fé, e a não permanecermos restritos aos rudimentos antigos da fé.

BIBLIOGRAFIA
PFEIFFER, C. The Epistle to the Hebrews. Chicago: Moody Press, 1962.
WEIRSBE, W. Be confident: Hebrews. Colorado Springs: David Cook, 2009.